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quarta-feira, 30 de novembro de 2016

SAÚDE

OMS diz que 40% dos portadores do HIV não sabem que têm o vírus 


Em todo o mundo, pelo menos 40% dos portadores do vírus HIV, ou seja 14 milhões de pessoas, desconhecem que têm o vírus no corpo, informou a Organização Mundial da Saúde (OMS) nesta terça-feira.
Uma das razões é a dificuldade que existe em alguns lugares para ter acesso ao diagnóstico, uma situação que a entidade destacou por ocasião do Dia Mundial de Luta Contra a Aids, 1º de dezembro. Dados recentes revelam que mais de 18 milhões de portadores do vírus, atualmente, não têm acesso a tratamentos antirretrovirais e 14 milhões delas não sabem que tem o HIV - sendo 143 mil no Brasil, segundo a Anvisa -.
"Milhões de pessoas que têm o HIV não se beneficiam do tratamento indispensável e que, igualmente, pode impedir que transmitam o vírus a outros indivíduos", afirmou a diretora geral da OMS, Margaret Chan.
Diante dessa situação, a organização decidiu incentivar o autoteste, que pode ser feito pela com um pouco de saliva ou furando a ponta do dedo com uma agulha. Isto permite que a pessoa saber seu resultado maneira privada, em um lugar confortável, com um laudo que fica pronto em 20 minutos. Caso dê positivo, a OMS aconselha à pessoa a procurar um hospital para uma confirmação profissional e onde também será possível receber orientação e tratamento.
"O autodiagnóstico é uma forma de se chegar a mais gente, oferecendo a oportunidade de tomar as medidas necessárias antes que adoecer", afirmou Margaret.
O organismo considera que o enfoque do autoteste é particularmente importante nos lugares onde há dificuldades para acessar o serviço de triagem comum.
Nos dez últimos anos, o total de pessoas que souberam que tinham o HIV passou de 12% a 40% na escala mundial. Uma das consequências mais positivas foi que oito de cada dez pessoas diagnosticadas recebem tratamento antirretroviral.
O diagnóstico do HIV depende em alguns casos do grupo populacional a que se pertence e de maneira geral é mais comum as mulheres serem diagnosticadas - e, em consequência, receberem tratamento - do que os homens. Segundo a OMS, apenas 30% das pessoas que fizeram algum teste de diagnóstico são do sexo masculino.
As taxas de diagnóstico também são baixas entre os homens que têm relações sexuais com outros homens, profissionais do sexo, transgêneros, usuários de drogas injetáveis e presos. De fato, estes grupos representam 44% de 1,9 milhão de novas infecções de HIV que acontecem anualmente.
Uma das maiores vantagens observadas é que os auto testes praticamente duplicaram o número de mulheres que realizam um exame para diagnóstico.
Fonte: https://saude.terra.com.br

Conselho do dasgracas.com: Se você vive uma vida de riscos, tome cuidado, porque você, sem saber,  pode ser portador do vírus que, em algum momento da vida pode ser fatal ao seu  em estar.

terça-feira, 31 de dezembro de 2013

HIV CRESCENTE NO BRASIL

Na contramão do mundo, Brasil amarga aumento no número de casos de HIV
 (Valdo Virgo/CB/D.A Press)Ao mesmo tempo em que registra um aumento no número de infectados, o Brasil adota tratamentos considerados de ponta por especialistas e impulsiona o combate à Aids em países da América Latina
Bruna Sensêve - Correio BraziliensePublicação:28/12/2013 10:00Atualização:27/12/2013 08:18
Mais de 35 milhões de pessoas estão infectadas pelo HIV no mundo, anunciou, neste ano, o Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (Unaids). O número de novos casos caiu 33% nos últimos anos, de 3,4 milhões em 2001 para 2,3 milhões em 2012. Na mesma direção, o número de mortes reduziu de 2,3 milhões em 2005 para 1,6 milhão no ano passado. Na contramão dessas taxas, o Brasil amarga um aumento no número de infectados. Em 2011, foram registrados 38.776 casos, o maior desde a descoberta da doença, segundo o mais recente boletim epidemiológico do Ministério da Saúde.

Acompanhe a série:
Percalços e vitórias de quem batalha conta o HIV

A perigosa estabilidade é observada nos três anos anteriores: 37.359, 38.188 e 38.529, respectivamente. O número de óbitos também encontrou ameaçador equilíbrio, com cerca de 12 mil mortes pela doença desde 2009. A taxa só é menor que a registrada em meados da década de 1990, antes do coquetel de antirretrovirais ser oferecido no atendimento público de saúde. Os dados não chegam a anunciar uma segunda epidemia da doença, apesar de se aproximarem dos números que causaram tanta comoção na época em que a Aids eclodiu no mundo ocidental.

Leia amanhã: quem são os brasileiros soropositivos. 


“Em alguns meios artísticos, por exemplo, as pessoas perdiam alguém conhecido praticamente de três em três meses”, conta Edgar Hamann, professor e médico do Departamento de Saúde Coletiva da Faculdade de Ciências da Saúde da Universidade de Brasília. Mas o especialista desconfia que haja, no Brasil, um processo de banalização da doença, fenômeno também observado em países europeus. “As pessoas pensam: ‘Agora estão sobrevivendo, estão bem’. Então, acham que a Aids é curável, o que não é verdade.”

Clique na imagem para ampliá-la e saiba mais
Clique na imagem para ampliá-la e saiba mais (Valdo Virgo/CB/D.A Press)A mudança de mentalidade é vista como um retrocesso pelo médico, pois pode ter motivado uma queda no uso do preservativos, já constatada em pesquisas com jovens. “A gente não pode ver isso como um fenômeno individual. A pessoa está se descuidando por que não sabe, por que não procura se interar ou por que não está entendendo bem? Não é nenhuma dessas respostas. Normalmente, são atitudes que por baixo têm uma partilha, uma concessão de um grupo”, analisa o professor.

Epidemia concentrada
Diretor do Departamento de DST/Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde, Fábio Mesquita considera a “nova interpretação” sobre a Aids controversa. “Precisamos ter um mecanismo de esclarecimento de que o medicamento é bom, tem eficiência e pode tornar a doença uma condição crônica controlável, mas o melhor é não tê-la.” Segundo Mesquita, o Brasil nunca esteve sob uma epidemia da doença que fosse considerada generalizada. Entre as três gradações usadas para a classificação internacional, o país sempre esteve em um estágio intermediário, chamado de epidemia concentrada.

“Ela é associada principalmente à população de alto risco, mas não só”, explica. A epidemia generalizada é vista em regiões como a África Subsaariana, onde mais de 1% da população tem o HIV (leia Para saber mais). “O Brasil nunca teve esse perfil da epidemia. Embora tivesse avançando bastante, (a doença) nunca tomou essa dimensão”, garante.

O mundo também observa um ressurgimento da infecção causado por comportamentos de risco, aumentado entre homens que fazem sexo com homens em vários cidades europeias. Em Amsterdã, por exemplo, foi relatado um aumento de 68% no comportamento sexual de risco entre esses homens — apesar das altas taxas de testes de HIV e acesso à terapia antirretroviral.

Esse fenômeno mostra sinais em terras brasileiras desde 2008, ano em que o número de homens infectados expostos por relação com outros homens era de 3.120. Nos três anos seguintes, subiu para 3.386, 3.678 e 3.709, respectivamente. Ainda assim, as maiores taxas de infecção desde os anos 2000 permanece entre a população heterossexual, especialmente mulheres. Essa é a forma de exposição que mais levou brasileiras a adquirirem o HIV — uma média de 90% das infecções no sexo feminino desde que o vírus surgiu no país.

Esforço regional
Apesar dos números intrigantes, o Brasil tem posição de destaque na América Latina e no Caribe quanto à garantia de acesso ao tratamento contra a Aids. O país está entre as sete nações que alcançaram uma cobertura universal (maior de 80%). As outras são Argentina, Barbados, Chile, Cuba, Guiana e México, de acordo a Organização Mundial da Saúde e Organização Panamericana de Saúde (OMS/OPAS). Segundo Monica Alonso, conselheira da OMS/OPAS para HIV e Doenças Sexualmente Transmissíveis, o Brasil é um dos líderes da região quanto ao acesso e à medicação antirretroviral, e caminha para políticas que permitirão a intervenção mais precoce contra o vírus. “Melhorias no Brasil têm um impacto nas figuras regionais, sim, no entanto, há uma direção comum de todos os países da região.”

Para Alonso, a América Latina e o Caribe contam com um forte apoio político para o HIV, bem como as redes da sociedade civil. “Um exemplo disso é o Grupo de Cooperação Técnico Horizontal, em que os chefes dos programas nacionais de HIV trocam informações e discutem ações para uma resposta mais articulada na região.” Os números referentes a 2012 representam uma melhoria de 10% em comparação aos coletados dois anos antes pela instituição. Em dezembro de 2012, 725 mil pessoas recebiam antirretrovirais na região, ou 75% do total estimado com necessidade de tratamento.

"Precisamos ter um mecanismo de esclarecimento de que o medicamento é bom, tem eficiência e pode tornar a doença uma condição crônica controlável, mas o melhor é não tê-la” - Fábio Mesquita, Diretor do Departamento de DST/Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde

Já na primeira vez
Quase 6 mil alunos de 12 a 17 anos de 64 escolas de todo o país participaram da pesquisa Este jovem brasileiro entre 16 de abril e 30 de agosto. Ao comparar os dados de anos anteriores, os pesquisadores perceberam um aumentou do número de jovens que não usam preservativo. Em 2006, 78% dos que responderam ao questionário on-line tinham usado camisinha na primeira relação sexual e 61% diziam usá-la sempre. Em 2013, as proporções caíram para 71% e 54%, respectivamente.